"> Com 102.086 votos, Orlando Morando é o primeiro suplente do MDB para a Câmara Federal em São Paulo

 

ABCD - 10/10/2026 - 16:16:15

 

Com 102.086 votos, Orlando Morando é o primeiro suplente do MDB para a Câmara Federal em São Paulo

 

Da Redação .

Foto(s): Divulgação / Wikimedia Commons

 

Ex-prefeito de São Bernardo do Campo por dois mandatos e ex-secretário de Segurança Urbana da capital paulista, ele ficou a 4.139 votos da quarta vaga da legenda e concentrou 47,5% dos seus votos no município de origem.

Ex-prefeito de São Bernardo do Campo por dois mandatos e ex-secretário de Segurança Urbana da capital paulista, ele ficou a 4.139 votos da quarta vaga da legenda e concentrou 47,5% dos seus votos no município de origem.

O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Orlando Morando Júnior, de 52 anos, candidato número 1555 pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), encerrou as Eleições Gerais de 2026 na condição de primeiro suplente da legenda para uma das 70 vagas de deputado federal reservadas ao estado de São Paulo. Com a apuração concluída em 4 de outubro, ele totalizou 102.086 votos nominais, o equivalente a 0,43% dos votos válidos no estado, e ocupou a 54ª posição entre 1.045 candidatos ao cargo.

Trajetória e mudança de legenda

Natural de São Bernardo do Campo, onde nasceu em 24 de agosto de 1974, Orlando Morando é formado em Direito e Administração de Empresas e atua como empresário no setor varejista de supermercados, além de ocupar a vice-presidência da Associação Paulista de Supermercados (APAS). Iniciou a vida pública aos 22 anos, como vereador de São Bernardo do Campo, mandato cumprido entre 1997 e 2002. Em seguida, exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual pela Assembleia Legislativa de São Paulo, entre 2003 e 2016, tendo liderado a bancada do PSDB na Casa em 2011 e 2012.

Em 2016, foi eleito prefeito de São Bernardo do Campo no segundo turno, com 213.661 votos, e reeleito em 2020, permanecendo no Executivo municipal de 1º de janeiro de 2017 a 1º de janeiro de 2025. Entre janeiro de 2025 e março de 2026, ocupou o cargo de secretário municipal de Segurança Urbana da cidade de São Paulo, na gestão do prefeito Ricardo Nunes. Em março de 2026, oficializou a filiação ao MDB e disputou a vaga de deputado federal. É casado com Carla Morando, eleita deputada estadual pelo PSD em 2026 com 94.596 votos, e tem dois filhos.

O cálculo proporcional e a vaga não obtida

A eleição para deputado federal obedece ao sistema proporcional. Em São Paulo, foram contabilizados 23.674.188 votos válidos para as 70 vagas, o que fixou o quociente eleitoral (QE) em 338.203 votos. O MDB somou 1.187.729 votos de legenda, correspondentes a 5,02% dos votos válidos, o que produziu quociente partidário de 3,51. A legenda assegurou três vagas por quociente partidário e uma quarta vaga por distribuição de sobras, totalizando quatro cadeiras.

Os quatro candidatos do MDB eleitos, por ordem de votação nominal, foram Baleia Rossi, com 239.124 votos, Sidney Cruz, com 130.951, João Cury, com 130.915, e Enrico Misasi, com 106.225. Orlando Morando fechou a sequência com 102.086 votos, a 4.139 votos de distância do quarto colocado. A legislação eleitoral exige, para preenchimento de vaga por sistema proporcional, votação nominal mínima de 10% do quociente eleitoral, ou seja, 33.820 votos. O candidato obteve votação 3,02 vezes superior a esse piso e equivalente a 30,2% do quociente eleitoral estadual. Os cinco candidatos mais votados do MDB paulista concentraram 709.301 votos, ou 59,7% do total da legenda no estado.

A condição de primeiro suplente significa que ele será convocado para assumir a cadeira na Câmara dos Deputados em caso de vacância de uma das quatro vagas do MDB paulista, por falecimento, renúncia ou perda de mandato de titular, ou ainda na hipótese de licença de titular por prazo superior a 15 dias, conforme o regimento interno da Casa.

Mapa da votação

A base eleitoral de Orlando Morando permaneceu concentrada no município de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Na cidade, ele recebeu 48.496 votos, correspondentes a 11,10% dos votos válidos locais para deputado federal, o que o colocou entre os candidatos mais votados naquele município. Esse montante representa 47,5% do total de votos que obteve em todo o estado. O restante da votação se distribuiu por demais municípios da Grande São Paulo e do interior, sem concentração municipal acima de 5% da sua votação total.

Cenário político da eleição de 2026

No plano nacional, a Câmara dos Deputados para a legislatura de 2027 a 2031 terá o Partido Liberal (PL) como maior bancada, com 121 deputados eleitos, o equivalente a 23,6% das 513 cadeiras e a maior representação de um único partido desde a Constituinte de 1988. A federação PT, PCdoB e PV obteve 88 cadeiras, a federação União Brasil e PP somou 87, o PSD elegeu 43, o Republicanos 41 e o MDB 36. A legenda de Orlando Morando reduziu sua bancada em cinco cadeiras em relação a 2022, quando havia eleito 41 deputados federais.

Em São Paulo, o PL elegeu 19 dos 70 deputados federais, ou 27,1% das vagas estaduais, seguido pelo PT, com 11. PSOL, Podemos, Republicanos e PSD elegeram seis cada, o MDB quatro, o PP três, PSB, Novo e União Brasil dois cada, e Missão, PSDB e PRD um cada. Do total de 70 eleitos, 37 buscaram reeleição e foram reconduzidos, 31 não ocupavam cadeira na Câmara na legislatura anterior e 16 são mulheres.

Na disputa presidencial, o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, encaminhou a escolha para segundo turno em 25 de outubro. Flávio Bolsonaro (PL) obteve 56.104.503 votos, ou 47,03% dos válidos, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 53.879.538 votos, ou 45,16%, com diferença superior a 2,2 milhões de votos. No governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito no primeiro turno com 14.491.874 votos, ou 62,65% dos válidos, contra 8.423.656 votos de Fernando Haddad (PT), ou 36,42%.

Fatores que influenciaram o desempenho da votação

Entre os fatores políticos internos, a votação de legenda do PL, puxada pela candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e pela reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo, elevou a representação da sigla na Câmara e reduziu o espaço de sobras para legendas médias como o MDB. A ausência de candidato próprio do MDB na disputa presidencial e a posição de negociação da legenda no segundo turno também diminuíram o efeito de arrasto nacional sobre os candidatos a deputado. A mudança de partido de Orlando Morando, do PSDB para o MDB ocorrida sete meses antes da eleição, reduziu o tempo de construção da candidatura na nova legenda e manteve sua base de votos restrita à região do ABC paulista.

No campo macroeconômico, o cenário no período da campanha foi marcado por projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,01% para 2026, acima do teto da meta de inflação de 4,50%, segundo o relatório Focus do Banco Central. O IPCA de setembro de 2026 ficou em 0,82% no mês, com acumulado no ano de 3,95% e taxa de 4,58% em 12 meses. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,0% no segundo trimestre de 2026 sobre o mesmo período de 2025, com acumulado em 12 meses de 1,9%, e projeção do mercado para o ano de 1,85%. A taxa Selic, após cortes do Comitê de Política Monetária (Copom), tinha projeção de fechamento de 2026 em 13,50% ao ano. A dívida pública bruta alcançou 82,9% do PIB e a taxa de desocupação ficou em torno de 5,3%. Esse conjunto de indicadores influenciou o voto de protesto contra partidos integrantes da base de apoio ao governo federal, grupo no qual o MDB se insere na legislatura atual.

No ambiente externo, a evolução das taxas de juros nos Estados Unidos, o nível dos preços de commodities e a taxa de câmbio do real mantiveram incerteza sobre o crescimento econômico brasileiro no período da campanha, o que se refletiu nas pesquisas de opinião sobre a percepção da economia e no comportamento do eleitor nas urnas.

Análise de tendências e cenário pós-eleitoral

A composição da Câmara dos Deputados em 2027 indicará um Legislativo com bancada majoritária de centro-direita. O crescimento do PL e a redução das legendas do chamado centrão, com União Brasil e PP caindo de 105 para 87 cadeiras e o MDB de 41 para 36, alteram a dinâmica de negociação de pautas econômicas e administrativas. Cinco partidos ficaram abaixo da cláusula de desempenho eleitoral, o que reduz o número de legendas com acesso a recursos do Fundo Partidário e a tempo de rádio e televisão nas próximas eleições.

Para o MDB, a manutenção de 36 cadeiras e a presença em 25 unidades da federação preservam a legenda como instância de articulação no Congresso, independentemente do resultado do segundo turno presidencial. A condição de primeiro suplente de Orlando Morando o coloca na lista de convocação imediata caso qualquer um dos quatro titulares do MDB paulista se licencie para assumir cargo no Executivo federal ou estadual, cenário comum nos primeiros meses de governo após a posse presidencial, em 1º de janeiro de 2027.

No eixo social e municipal, a campanha de Orlando Morando centrou-se em propostas de pacto federativo para segurança pública e uso de tecnologia na gestão pública, temas que obtiveram peso nas pesquisas eleitorais de 2026. Sua base no ABC paulista, região com 2,7 milhões de habitantes e parque industrial automotivo, permanece como seu principal ativo eleitoral para eventuais disputas futuras.

(*) Com informações das fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Câmara dos Deputados, Senado Federal, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Banco Central (relatório Focus e Copom), Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Prefeitura de São Bernardo do Campo, Agência Brasil, G1, Exame, Jornal @HORA. Metrópoles, CNN Brasil, VEJA, JOTA, Instituto LLYC, BBVA Research, BTG Pactual, Radar do Poder e Minha Colinha.

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