|
O pregão de segunda-feira, 5 de outubro de 2026, foi o primeiro após o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, 4. O Ibovespa encerrou a sessão às 17h em 207.519,61 pontos, com alta de 8,02% sobre os 192.114,55 pontos de sexta-feira, 2 de outubro. O índice oscilou entre a mínima de abertura e a máxima intradiária de 209.605 pontos, patamar que superou a marca anterior de 199.354 pontos registrada em 14 de abril de 2026. O volume financeiro do dia ficou acima da média móvel de 50 pregões.
No câmbio, a taxa PTAX do dólar comercial, divulgada pelo Banco Central após as 16h, fechou em R$ 4,9853 na compra e R$ 4,9859 na venda. Isso representa recuo de 4,55% em relação a 2 de outubro, quando a taxa estava em R$ 5,2232 (compra) e R$ 5,2238 (venda). Foi a primeira vez que a paridade fechou abaixo de R$ 5,00 no período analisado.
Fatores que influenciaram o dia
O resultado do primeiro turno diferiu da expectativa do mercado. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45,16%. A projeção predominante antes da votação era de Lula na primeira colocação. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
A leitura dos investidores foi de aumento da probabilidade de vitória da oposição no segundo turno e de mudança na percepção sobre política econômica e fiscal. Antes da abertura da B3, o ETF EWZ (iShares MSCI Brazil), negociado em Nova York, chegou a subir 13,5%, a US$ 43,33, em volume acima da média. O fluxo de entrada de recursos estrangeiros na sessão foi positivo.
Os papéis mais sensíveis à atividade doméstica, ao crédito, ao consumo e ao mercado de capitais lideraram as altas. Varejistas, construtoras, bancos e a própria operadora da bolsa B3 avançaram acima de 20%. Do lado oposto, empresas com receita majoritariamente em dólar sofreram com a valorização do real: a alta de 4,55% da moeda brasileira reduz o valor em reais das exportações. Suzano, Embraer, Vale, Klabin e Usiminas ficaram entre as maiores baixas.
No exterior, o cenário de juros nos Estados Unidos também contribuiu. O relatório de emprego dos EUA divulgado em 2 de outubro ficou abaixo do esperado, o que elevou a expectativa de cortes na taxa básica pelo Federal Reserve e favoreceu ativos de risco emergentes.
Ouro, prata e o episódio na China
No mercado de metais preciosos, o ouro à vista em dólar ficou praticamente estável: de US$ 4.129,39 por onça em 2 de outubro para US$ 4.134,39 em 5 de outubro, alta de 0,12%. O contrato futuro de ouro com vencimento em dezembro, na Comex, fechou em recuo de 0,14%, a US$ 4.156,80 a onça. Já o contrato futuro de prata (dezembro) subiu 1,41%, fechando a US$ 61,30 a onça.
A prata foi o foco de um episódio de liquidação de posições alavancadas na China em dias anteriores. A Shanghai Futures Exchange impôs restrições de entrega, zerando alocações para participantes sem cota de hedge aprovada, o que desencadeou desalavancagem. O quadro se soma a controles de licenciamento à exportação de prata pela China, em vigor desde janeiro de 2026, e a um ritmo elevado de compras chinesas de ouro: de janeiro a agosto de 2026, o país importou 1.141 toneladas de ouro, volume 72% superior ao mesmo período de 2025, com projeção de 1.700 toneladas para o ano.
No Brasil, o ouro comercial em real por grama fechou em R$ 662,6745 na compra e R$ 662,7542 na venda, recuo de 4,44% no dia. Como a cotação em dólar ficou estável, quase todo o recuo em reais se deve à valorização do real. No acumulado dos últimos 20 dias úteis, o ouro em real recuou 7,73%. A prata, por sua vez, não figura nas cotações oficiais do Banco Central para o período; sua referência internacional ficou em US$ 61,30 a onça no fechamento da Comex.
Análise dos últimos 20 dias úteis
Entre 8 de setembro e 5 de outubro de 2026, a taxa PTAX do dólar (compra) variou entre R$ 5,0850 e R$ 5,2232, com fechamento final em R$ 4,9853. A tendência de setembro foi de alta gradual: a taxa partiu de R$ 5,0850 em 8 de setembro e alcançou R$ 5,2198 em 29 de setembro. Em 30 de setembro houve recuo de 0,76%, seguido de nova alta em 1º e 2 de outubro. A reversão de 4,55% em 5 de outubro levou a moeda americana ao menor valor do período. No acumulado dos 20 dias úteis, o dólar recuou 1,96%.
O Ibovespa, por sua vez, encerrou setembro com alta de 5,03%, a 186.340 pontos. Em 1º de outubro, o índice subiu 0,46%, a 187.197,45 pontos. Em 2 de outubro, véspera do primeiro turno, avançou 2,63%, a 192.114,55 pontos, em movimento atribuído ao relatório de emprego dos EUA e à formação de posições. De 1º a 5 de outubro, o acumulado foi de 10,86%. No ano, o índice já havia registrado alta de 12,56% em janeiro, com fluxo estrangeiro positivo superior a R$ 26 bilhões, depois passou por quedas entre março e junho associadas ao conflito entre Irã e Estados Unidos e à alta do petróleo para a faixa de US$ 100, e retomou a trajetória de alta a partir de julho, com ganho de 3,47% naquele mês.
Para as próximas sessões, o calendário eleitoral permanece como fator central: o segundo turno em 25 de outubro mantém aberta a disputa. Análises de casas de investimento projetam que, em cenário de vitória da oposição, o múltiplo de negociação das ações brasileiras poderia voltar à média histórica de 11,9 vezes o lucro projetado, o que implicaria potencial de alta adicional de 20% sobre os níveis pré-5 de outubro.
Resumo do Fechamento Diário (05/10/2026)
| Indicador |
Valor de fechamento |
Variação diária |
| Dólar Comercial (compra PTAX) |
R$ 4,9853 |
-4,55% |
| Dólar Comercial (venda PTAX) |
R$ 4,9859 |
-4,55% |
| Ibovespa (pontos) |
207.519,61 |
+8,02% |
Referência de 02/10/2026: dólar compra R$ 5,2232, venda R$ 5,2238; Ibovespa 192.114,55 pontos.
Maiores Altas do Ibovespa (05/10/2026)
| Código |
Nome da empresa |
Variação diária |
| BPAC11 |
Banco BTG Pactual S.A. |
+25,89% |
| B3SA3 |
B3 S.A. (Brasil, Bolsa, Balcão) |
+25,32% |
| MGLU3 |
Magazine Luiza S.A. |
+24,18% |
| CSAN3 |
Cosan S.A. |
+22,82% |
| CYRE3 |
Cyrela Brazil Realty S.A. Empreendimentos e Participações |
+21,33% |
Maiores Baixas do Ibovespa (05/10/2026)
| Código |
Nome da empresa |
Variação diária |
| SUZB3 |
Suzano S.A. |
-6,25% |
| EMBJ3 |
Embraer S.A. |
-4,35% |
| VALE3 |
Vale S.A. |
-3,04% |
| KLBN11 |
Klabin S.A. |
-2,69% |
| USIM5 |
Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. (Usiminas) |
-2,27% |
Variação Mensal do Dólar Comercial (PTAX)
Período: 08/09/2026 a 05/10/2026 (20 dias úteis, em ordem crescente). Valores em R$.
| Data |
Compra |
Venda |
Var. Compra (%) |
Var. Venda (%) |
| 08/09/2026 |
5,0850 |
5,0856 |
- |
- |
| 09/09/2026 |
5,0973 |
5,0979 |
+0,24 |
+0,24 |
| 10/09/2026 |
5,1143 |
5,1149 |
+0,33 |
+0,33 |
| 11/09/2026 |
5,0912 |
5,0918 |
-0,45 |
-0,45 |
| 14/09/2026 |
5,1690 |
5,1696 |
+1,53 |
+1,53 |
| 15/09/2026 |
5,1484 |
5,1490 |
-0,40 |
-0,40 |
| 16/09/2026 |
5,1520 |
5,1527 |
+0,07 |
+0,07 |
| 17/09/2026 |
5,1515 |
5,1521 |
-0,01 |
-0,01 |
| 18/09/2026 |
5,1569 |
5,1575 |
+0,10 |
+0,10 |
| 21/09/2026 |
5,1111 |
5,1117 |
-0,89 |
-0,89 |
| 22/09/2026 |
5,1155 |
5,1161 |
+0,09 |
+0,09 |
| 23/09/2026 |
5,1408 |
5,1414 |
+0,49 |
+0,49 |
| 24/09/2026 |
5,1789 |
5,1795 |
+0,74 |
+0,74 |
| 25/09/2026 |
5,1985 |
5,1991 |
+0,38 |
+0,38 |
| 28/09/2026 |
5,2126 |
5,2132 |
+0,27 |
+0,27 |
| 29/09/2026 |
5,2198 |
5,2204 |
+0,14 |
+0,14 |
| 30/09/2026 |
5,1803 |
5,1809 |
-0,76 |
-0,76 |
| 01/10/2026 |
5,2073 |
5,2079 |
+0,52 |
+0,52 |
| 02/10/2026 |
5,2232 |
5,2238 |
+0,31 |
+0,31 |
| 05/10/2026 |
4,9853 |
4,9859 |
-4,55 |
-4,55 |
Variação Mensal do Ouro Comercial (por grama, em R$)
Período: 08/09/2026 a 05/10/2026 (20 dias úteis, em ordem crescente).
| Data |
Compra |
Venda |
Var. Compra (%) |
Var. Venda (%) |
| 08/09/2026 |
718,2203 |
718,3051 |
- |
- |
| 09/09/2026 |
720,7721 |
720,8569 |
+0,36 |
+0,36 |
| 10/09/2026 |
717,9980 |
718,0823 |
-0,38 |
-0,38 |
| 11/09/2026 |
715,2571 |
715,3414 |
-0,38 |
-0,38 |
| 14/09/2026 |
712,4742 |
712,5569 |
-0,39 |
-0,39 |
| 15/09/2026 |
710,0262 |
710,1090 |
-0,34 |
-0,34 |
| 16/09/2026 |
720,7611 |
720,8590 |
+1,51 |
+1,51 |
| 17/09/2026 |
723,6269 |
723,7112 |
+0,40 |
+0,40 |
| 18/09/2026 |
722,1538 |
722,2378 |
-0,20 |
-0,20 |
| 21/09/2026 |
714,2398 |
714,3236 |
-1,10 |
-1,10 |
| 22/09/2026 |
711,8703 |
711,9538 |
-0,33 |
-0,33 |
| 23/09/2026 |
707,7093 |
707,7919 |
-0,58 |
-0,58 |
| 24/09/2026 |
708,4679 |
708,5499 |
+0,11 |
+0,11 |
| 25/09/2026 |
717,2323 |
717,3151 |
+1,24 |
+1,24 |
| 28/09/2026 |
691,0513 |
691,1308 |
-3,65 |
-3,65 |
| 29/09/2026 |
697,4613 |
697,5414 |
+0,93 |
+0,93 |
| 30/09/2026 |
692,3684 |
692,4485 |
-0,73 |
-0,73 |
| 01/10/2026 |
698,2167 |
698,2971 |
+0,84 |
+0,84 |
| 02/10/2026 |
693,4679 |
693,5475 |
-0,68 |
-0,68 |
| 05/10/2026 |
662,6745 |
662,7542 |
-4,44 |
-4,44 |
(*) Com informações das fontes: Banco Central do Brasil (taxas PTAX de dólar e cotações de ouro), B3 (Índice Ibovespa e cotações de ações), Refinitiv, Exame Invest, Reuters, Bloomberg Línea, Money Times, Estadão eInvestidor, Terra, EuQueroInvestir, Times Brasil (CNBC), CME Group (Comex), Shanghai Futures Exchange, Heraeus (Shanghai Metals Market).
|