O vereador Hélio Silva (Cidadania), presidente da Câmara Municipal de Sumaré (SP), foi preso na manhã de 9 de setembro de 2026 durante a Operação Archimagus, ação voltada ao combate ao tráfico de drogas conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas. O parlamentar, de 55 anos, concorre ao cargo de deputado federal nas eleições de 2026 com o número 2333, em candidatura articulada durante o período em que o deputado Alex Manente comandava a presidência nacional do partido.

A Operação Archimagus contou com agentes das polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar e Civil de São Paulo, além de guardas municipais de Paulínia (SP), com apoio do CPI-9, do GAECO do Ministério Público de São Paulo, do Comando de Operações Táticas (COT), do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) e dos 1º e 10º Batalhões de Ações Especiais da Polícia Militar (BAEP). Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas, Sumaré, Vinhedo (SP) e Jacutinga (MG).
Segundo as investigações da Polícia Federal, Hélio Silva é apontado como financiador do esquema criminoso, identificado pelo codinome “Mister M”. Os levantamentos indicam que, entre janeiro e agosto de 2026, o vereador recebeu sacolas com volumes que aparentavam ser dinheiro, posteriormente colocados em veículo oficial da Câmara Municipal. A investigação também levanta suspeitas de que recursos de origem ilegal tenham sido utilizados para financiar atividades político-eleitorais.
Os agentes identificaram que imóveis ligados ao parlamentar eram usados como endereço de empresas, sem atividade empresarial compatível nos locais. Em um desses espaços, foi encontrado acervo de armas de fogo que inclui um fuzil e pistolas. Entre os locais alvo da operação está um sítio em Jacutinga que, segundo a investigação, era utilizado para armazenamento de entorpecentes. A estrutura criminosa atuava no financiamento para compra de drogas, na logística de armazenamento e no abastecimento de pontos de venda na região de Sumaré, utilizando imóveis e pessoas jurídicas para movimentar e ocultar as atividades ilícitas.
Além de Hélio Silva, foi preso Maikon Baptista da Costa, indicado como gerente dos pontos de tráfico em Sumaré. A operação também cumpriu mandados de busca contra outros três investigados: Sivanir Alves, responsável pelo controle de acesso e apoio no sítio de Jacutinga; Claudio Miguel da Costa, elo financeiro do grupo; e Jurailton Rosa dos Santos, operador e intermediário do esquema. Os presos e materiais apreendidos foram encaminhados para a sede da Delegacia de Polícia Federal de Campinas.
Hélio Silva nasceu em Porteirinha (MG). Foi eleito vereador pelo Cidadania em 2016 e 2020, e reeleito em 2024 com 1.916 votos. Em janeiro de 2025, foi reconduzido à presidência da Câmara Municipal para o biênio 2025/2026.
A articulação de sua candidatura a deputado federal ocorreu no contexto de disputa interna pelo comando do Cidadania, que se arrasta desde 2023.
Em 3 de julho de 2026, o desembargador Rômulo de Araújo Mendes, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), concedeu liminar afastando Alex Manente da presidência nacional do partido. A decisão considerou inválido o congresso que havia eleito Manente, sob o entendimento de que não houve quórum estatutário suficiente para a deliberação. Com a medida, a vice-presidente Luzia Ferreira passou a exercer interinamente a presidência nacional.
Nos bastidores do partido, interlocutores ligados ao meio político de Sumaré indicam que a pré-candidatura de Hélio Silva havia sido construída com o apoio direto de Alex Manente, em detrimento de outros pré-candidatos locais que também buscavam espaço na Federação PSDB/Cidadania para as eleições de 2026. Com o afastamento de Manente, houve incertezas sobre a continuidade do apoio e a possibilidade de revisão de acordos eleitorais pela nova direção partidária.
O estado de São Paulo tem 1113 candidatos disputando 70 vagas na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. O registro da candidatura de Hélio Silva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consta como “aguardando julgamento” até o fechamento desta matéria.
A equipe de reportagem procurou o partido Cidadania, a Câmara Municipal de Sumaré e a assessoria de Alex Manente para posicionamento sobre a operação e a articulação da candidatura, mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria. A defesa do vereador e dos demais investigados não foi localizada.
Em análise periódica, o caso se insere em duas tendências: primeiro, a judicialização de disputas internas partidárias que afetam a definição de candidaturas; segundo, investigações que apontam vínculos entre agentes políticos e estruturas de tráfico de drogas, com reflexos sobre os mecanismos de controle de financiamento de campanhas eleitorais. No cenário internacional, a ação coincide com diretrizes globais de cooperação para desarticulação de redes transnacionais de tráfico, que utilizam estruturas empresariais e políticas para ocultar atividades ilícitas.
(*) Com informações das fontes: G1 Campinas e Região; Band; SBT News; CNN Brasil; Metrópoles; Revista Oeste; Diário de São Paulo; Portal VV8 Sampi; Rádio Sorocaba MPB; Portal da Cidade Sumaré; Auge 1; Nexo Jornal; ND Mais Câmara dos Deputados; Tribunal Superior Eleitoral e Câmar de Vereadores de Sumaré