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O fechamento de 27 de outubro
A taxa PTAX do dólar comercial, divulgada pelo Banco Central, foi fixada em R$ 5,3340 na compra e R$ 5,3346 na venda no fechamento de 27 de outubro de 2026. Em relação ao dia anterior, as taxas recuaram 3,01% (compra) e 3,02% (venda). O Ibovespa, índice de ações da B3, encerrou o pregão em 175.831,92 pontos, com variação de 0,96% negativa ante os 177.539,81 pontos de 26 de outubro. O volume financeiro negociado na B3 somou R$ 64.942.175.301, em 9.095.569 negócios, conforme registro da bolsa às 17h.
A sessão de 27 de outubro representou movimento de correção parcial dos ativos brasileiros. O dólar à vista chegou a operar em queda superior a 1% já na abertura, e a PTAX das 13h05 indicou R$ 5,3390 na compra. O Ibovespa abriu em alta, chegou a 178.526,08 pontos por volta das 11h, e reverteu o sentido no período da tarde, com pressão sobre ações de primeira linha e sobre Petrobras.
O choque de 26 de outubro e o "circuit breaker"
O desempenho de 27 de outubro só pode ser lido à luz do pregão de 26 de outubro, primeiro dia útil após o segundo turno eleitoral. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Analistas de mercado informaram que os preços dos ativos já refletiam a vitória do candidato de oposição antes da apuração.
Em 26 de outubro, o Ibovespa recuou 13,88% no fechamento, com acionamento do circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. O índice chegou a ciar mais de 17% no intraday, e os contratos futuros chegaram a registrar perdas próximas de 20%. O dólar à vista avançou 8,21%, a R$ 5,403, após tocar R$ 5,60 no intraday. A PTAX de compra saltou 9,19%, de R$ 5,0371 para R$ 5,4998, a maior variação diária da série recente. O Banco Central vendeu 75 mil contratos de swap cambial, equivalentes a cerca de US$ 3,75 bilhões, na sessão de 26 de outubro. A perda de valor de mercado das empresas listadas foi estimada em R$ 660 bilhões. Os limites de oscilação diária dos juros futuros foram ampliados três vezes, e o Tesouro Nacional interveio duas vezes no mercado de títulos.
Atuação do BC e do Tesouro em 27 de outubro
No dia 27, o Banco Central realizou novo leilão de swap cambial, com oferta de 80 mil contratos, equivalentes a US$ 4 bilhões. Foram vendidos 26 mil contratos com vencimento em 4 de janeiro de 2027 (US$ 1,3 bilhão) e 54 mil com vencimento em 1º de fevereiro de 2027 (US$ 2,7 bilhões). O Tesouro Nacional cancelou o leilão tradicional de LFT e anunciou operação de recompra de até 15 milhões de títulos públicos em circulação, além de suspender leilões de títulos prefixados e vinculados à inflação previstos para a semana. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou manter diálogo com o secretário do Tesouro, Daniel Leal, e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O rendimento do título público de dez anos recuou para cerca de 14,97% ao ano, após ter alcançado 15,6% após o resultado eleitoral. A atenção dos investidores se voltou para a composição da nova equipe econômica e para o compromisso com ajuste fiscal.
Ouro, prata e o fator China
O ouro comercial, em reais por grama, foi cotado a R$ 696,7995 na compra e R$ 696,8779 na venda em 27 de outubro, recuo de 1,91% e 1,92%, respectivamente, ante o dia anterior. No dia 26, o ouro em real havia avançado 9,61%, para R$ 710,3849, movimento explicado pela depreciação do real, já que o preço do ouro spot em dólares recuou no período, de US$ 4.002,02 por onça em 23 de outubro para US$ 4.017,61 em 26 de outubro, voltando a US$ 4.063,17 em 27 de outubro.
O ouro à vista em dólares vinha em trajetória de correção após ter atingido US$ 5.608 por onça em janeiro de 2026, recuo de cerca de 27% até meados de outubro. Esse recuo ocorreu mesmo com compras contínuas do Banco Popular da China. A instituição adicionou 23 toneladas de ouro às reservas em setembro de 2026, o maior volume mensal desde outubro de 2023, e completou 23 meses consecutivos de aquisições. As reservas chinesas de ouro chegaram a 77,47 milhões de onças (2.410 toneladas), equivalentes a 8,5% do total de reservas do país. As importações chinesas de ouro superaram 1 mil toneladas nos primeiros oito meses de 2026, e os holdings de ETFs de ouro na China atingiram 304 toneladas. Em sentido oposto, Rússia e Cazaquistão realizaram vendas de ouro, com a Rússia posicionando o metal em Hong Kong.
A prata apresentou desempenho inferior ao do ouro. O preço da prata à vista recuou cerca de 55% desde a máxima de janeiro, para cerca de US$ 54 por onça em 26 de outubro. Relato de mercado atribui parte da pressão a evento de liquidação de posições alavancadas na China, com desdobramentos na Shanghai Futures Exchange. A demanda industrial de prata no setor fotovoltaico chinês recuou cerca de 30% em 2026, por meio de redução da quantidade de metal por unidade produzida e substituição por outros materiais. A consultoria SMM registrou queda de 19,6% no preço da prata entre 27 de agosto e 15 de outubro. A Silver Institute projeta recuo de cerca de 2% no uso industrial de prata em 2026, para 650 milhões de onças.
Tendências do último mês
No período de 28 de setembro a 27 de outubro, a PTAX do dólar de compra partiu de R$ 5,2126 e encerrou em R$ 5,3340, alta de 2,33% no mês. A trajetória se dividiu em duas fases. De 28 de setembro a 23 de outubro, o real se valorizou: o dólar caiu de R$ 5,2126 para abaixo de R$ 5,00 em 5 de outubro (R$ 4,9853), e oscilou entre R$ 4,9692 e R$ 5,0820 até 23 de outubro. Esse período coincide com precificação de vitória da oposição nas pesquisas eleitorais e com carry trade atrativo pela Selic em 13,75% ao ano. A segunda fase, em 26 e 27 de outubro, foi marcada pelo choque eleitoral: alta de 9,19% seguida de recuo de 3,01%.
O ouro em real, no mesmo período, passou de R$ 691,0513 para R$ 696,7995, alta de 0,83%. O ouro spot em dólares recuou 1,46%, de US$ 4.123,38 para US$ 4.063,17. A diferença entre as duas métricas reflete a depreciação do real no mês. O ouro em real registrou mínima de R$ 648,1086 em 23 de outubro e máxima de R$ 710,3849 em 26 de outubro.
Externamente, o Federal Reserve elevou a taxa básica americana em 0,25 ponto percentual em 16 de setembro, para o intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano, primeira alta desde 2023, e o mercado acompanha a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto. No Brasil, o Copom mantém a Selic em 13,75% ao ano.
Resumo do fechamento diário (27/10/2026)
| Indicador |
Valor de fechamento |
Variação diária |
| Dólar comercial PTAX (compra) |
R$ 5,3340 |
-3,01% |
| Dólar comercial PTAX (venda) |
R$ 5,3346 |
-3,02% |
| Ibovespa (pontos) |
175.831,92 |
-0,96% |
Maiores altas do pregão (B3)
| Código |
Nome da empresa |
Variação diária |
| VIVR3F |
Viver Incorporadora e Construtora S.A. |
+78,02% |
| VIVR3 |
Viver Incorporadora e Construtora S.A. |
+69,58% |
| JFEN3 |
João Fortes Engenharia S.A. |
+42,53% |
| MAPT4 |
Cemepe Investimentos S.A. |
+38,89% |
| BOBR4F |
Bombril S.A. |
+25,62% |
Maiores baixas do pregão (B3)
| Código |
Nome da empresa |
Variação diária |
| AZUL99 |
Azul S.A. |
-51,85% |
| AZUL97 |
Azul S.A. |
-44,00% |
| ONCO3F |
Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A. |
-22,22% |
| VVEO3F |
CM Hospitalar S.A. |
-22,22% |
| TELB3 |
Telecomunicações Brasileiras S.A. |
-21,94% |
Variação mensal do dólar comercial PTAX (28/09 a 27/10/2026)
| Data |
Compra (R$) |
Venda (R$) |
Variação compra (%) |
Variação venda (%) |
| 28/09/2026 |
5,2126 |
5,2132 |
n/a |
n/a |
| 29/09/2026 |
5,2198 |
5,2204 |
+0,14 |
+0,14 |
| 30/09/2026 |
5,1803 |
5,1809 |
-0,76 |
-0,76 |
| 01/10/2026 |
5,2073 |
5,2079 |
+0,52 |
+0,52 |
| 02/10/2026 |
5,2232 |
5,2238 |
+0,31 |
+0,31 |
| 05/10/2026 |
4,9853 |
4,9859 |
-4,55 |
-4,55 |
| 06/10/2026 |
4,9692 |
4,9698 |
-0,32 |
-0,32 |
| 07/10/2026 |
4,9929 |
4,9935 |
+0,48 |
+0,48 |
| 08/10/2026 |
5,0113 |
5,0119 |
+0,37 |
+0,37 |
| 09/10/2026 |
4,9886 |
4,9892 |
-0,45 |
-0,45 |
| 13/10/2026 |
5,0090 |
5,0096 |
+0,41 |
+0,41 |
| 14/10/2026 |
5,0435 |
5,0441 |
+0,69 |
+0,69 |
| 15/10/2026 |
5,0515 |
5,0521 |
+0,16 |
+0,16 |
| 16/10/2026 |
5,0820 |
5,0826 |
+0,60 |
+0,60 |
| 19/10/2026 |
5,0558 |
5,0564 |
-0,52 |
-0,52 |
| 20/10/2026 |
5,0134 |
5,0140 |
-0,84 |
-0,84 |
| 21/10/2026 |
5,0270 |
5,0277 |
+0,27 |
+0,27 |
| 22/10/2026 |
5,0377 |
5,0383 |
+0,21 |
+0,21 |
| 23/10/2026 |
5,0371 |
5,0377 |
-0,01 |
-0,01 |
| 26/10/2026 |
5,4998 |
5,5007 |
+9,19 |
+9,19 |
| 27/10/2026 |
5,3340 |
5,3346 |
-3,01 |
-3,02 |
Variação mensal do ouro comercial (28/09 a 27/10/2026, em R$ por grama)
| Data |
Compra (R$) |
Venda (R$) |
Variação compra (%) |
Variação venda (%) |
| 28/09/2026 |
691,0513 |
691,1308 |
n/a |
n/a |
| 29/09/2026 |
697,4613 |
697,5414 |
+0,93 |
+0,93 |
| 30/09/2026 |
692,3684 |
692,4485 |
-0,73 |
-0,73 |
| 01/10/2026 |
698,2167 |
698,2971 |
+0,84 |
+0,84 |
| 02/10/2026 |
693,4679 |
693,5475 |
-0,68 |
-0,68 |
| 05/10/2026 |
662,6745 |
662,7542 |
-4,44 |
-4,44 |
| 06/10/2026 |
665,0428 |
665,1231 |
+0,36 |
+0,36 |
| 07/10/2026 |
658,9547 |
659,0339 |
-0,92 |
-0,92 |
| 08/10/2026 |
662,0822 |
662,1614 |
+0,47 |
+0,47 |
| 09/10/2026 |
672,2275 |
672,3083 |
+1,53 |
+1,53 |
| 13/10/2026 |
669,6524 |
669,7326 |
-0,38 |
-0,38 |
| 14/10/2026 |
661,6162 |
661,6949 |
-1,20 |
-1,20 |
| 15/10/2026 |
673,8927 |
673,9728 |
+1,86 |
+1,86 |
| 16/10/2026 |
680,9594 |
681,0398 |
+1,05 |
+1,05 |
| 19/10/2026 |
673,1194 |
673,1993 |
-1,15 |
-1,15 |
| 20/10/2026 |
665,7018 |
665,7814 |
-1,10 |
-1,10 |
| 21/10/2026 |
667,7736 |
667,8666 |
+0,31 |
+0,31 |
| 22/10/2026 |
655,9505 |
656,0286 |
-1,77 |
-1,77 |
| 23/10/2026 |
648,1086 |
648,1858 |
-1,20 |
-1,20 |
| 26/10/2026 |
710,3849 |
710,5012 |
+9,61 |
+9,61 |
| 27/10/2026 |
696,7995 |
696,8779 |
-1,91 |
-1,92 |
(*) Com informações das fontes: Banco Central do Brasil (taxas PTAX de dólar e ouro, Refinitiv); B3 (Ibovespa, ações, volume e negócios); Agência Brasil; Valor Econômico; Exame; InfoMoney; O Globo; Estadão; StoneX; World Gold Council; Shanghai Metals Market; Silver Institute; Global Times; Federal Reserve.
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