"> Dólar cai, ouro estável Ibovespa recupera

 

Economia - 27/10/2026 - 17:52:50

 

Dólar cai, ouro estável Ibovespa recupera

Dólar PTAX fecha em queda de 3,02%, a R$ 5,3340, e Ibovespa recua 0,96%, a 175.831,92 pontos

 

Da Redação .

Foto(s): Arte @HORA

 

No segundo pregão útil após a reeleição presidencial, Banco Central realiza leilão de swaps cambiais de US$ 4 bilhões e Tesouro Nacional cancela leilão de títulos e anuncia recompra extraordinária; ouro em real recua 1,91% e prata segue em trajetória de queda após liquidação alavancada na China.

No segundo pregão útil após a reeleição presidencial, Banco Central realiza leilão de swaps cambiais de US$ 4 bilhões e Tesouro Nacional cancela leilão de títulos e anuncia recompra extraordinária; ouro em real recua 1,91% e prata segue em trajetória de queda após liquidação alavancada na China.

O fechamento de 27 de outubro

A taxa PTAX do dólar comercial, divulgada pelo Banco Central, foi fixada em R$ 5,3340 na compra e R$ 5,3346 na venda no fechamento de 27 de outubro de 2026. Em relação ao dia anterior, as taxas recuaram 3,01% (compra) e 3,02% (venda). O Ibovespa, índice de ações da B3, encerrou o pregão em 175.831,92 pontos, com variação de 0,96% negativa ante os 177.539,81 pontos de 26 de outubro. O volume financeiro negociado na B3 somou R$ 64.942.175.301, em 9.095.569 negócios, conforme registro da bolsa às 17h.

A sessão de 27 de outubro representou movimento de correção parcial dos ativos brasileiros. O dólar à vista chegou a operar em queda superior a 1% já na abertura, e a PTAX das 13h05 indicou R$ 5,3390 na compra. O Ibovespa abriu em alta, chegou a 178.526,08 pontos por volta das 11h, e reverteu o sentido no período da tarde, com pressão sobre ações de primeira linha e sobre Petrobras.

O choque de 26 de outubro e o "circuit breaker"

O desempenho de 27 de outubro só pode ser lido à luz do pregão de 26 de outubro, primeiro dia útil após o segundo turno eleitoral. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Analistas de mercado informaram que os preços dos ativos já refletiam a vitória do candidato de oposição antes da apuração.

Em 26 de outubro, o Ibovespa recuou 13,88% no fechamento, com acionamento do circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. O índice chegou a ciar mais de 17% no intraday, e os contratos futuros chegaram a registrar perdas próximas de 20%. O dólar à vista avançou 8,21%, a R$ 5,403, após tocar R$ 5,60 no intraday. A PTAX de compra saltou 9,19%, de R$ 5,0371 para R$ 5,4998, a maior variação diária da série recente. O Banco Central vendeu 75 mil contratos de swap cambial, equivalentes a cerca de US$ 3,75 bilhões, na sessão de 26 de outubro. A perda de valor de mercado das empresas listadas foi estimada em R$ 660 bilhões. Os limites de oscilação diária dos juros futuros foram ampliados três vezes, e o Tesouro Nacional interveio duas vezes no mercado de títulos.

Atuação do BC e do Tesouro em 27 de outubro

No dia 27, o Banco Central realizou novo leilão de swap cambial, com oferta de 80 mil contratos, equivalentes a US$ 4 bilhões. Foram vendidos 26 mil contratos com vencimento em 4 de janeiro de 2027 (US$ 1,3 bilhão) e 54 mil com vencimento em 1º de fevereiro de 2027 (US$ 2,7 bilhões). O Tesouro Nacional cancelou o leilão tradicional de LFT e anunciou operação de recompra de até 15 milhões de títulos públicos em circulação, além de suspender leilões de títulos prefixados e vinculados à inflação previstos para a semana. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou manter diálogo com o secretário do Tesouro, Daniel Leal, e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O rendimento do título público de dez anos recuou para cerca de 14,97% ao ano, após ter alcançado 15,6% após o resultado eleitoral. A atenção dos investidores se voltou para a composição da nova equipe econômica e para o compromisso com ajuste fiscal.

Ouro, prata e o fator China

O ouro comercial, em reais por grama, foi cotado a R$ 696,7995 na compra e R$ 696,8779 na venda em 27 de outubro, recuo de 1,91% e 1,92%, respectivamente, ante o dia anterior. No dia 26, o ouro em real havia avançado 9,61%, para R$ 710,3849, movimento explicado pela depreciação do real, já que o preço do ouro spot em dólares recuou no período, de US$ 4.002,02 por onça em 23 de outubro para US$ 4.017,61 em 26 de outubro, voltando a US$ 4.063,17 em 27 de outubro.

O ouro à vista em dólares vinha em trajetória de correção após ter atingido US$ 5.608 por onça em janeiro de 2026, recuo de cerca de 27% até meados de outubro. Esse recuo ocorreu mesmo com compras contínuas do Banco Popular da China. A instituição adicionou 23 toneladas de ouro às reservas em setembro de 2026, o maior volume mensal desde outubro de 2023, e completou 23 meses consecutivos de aquisições. As reservas chinesas de ouro chegaram a 77,47 milhões de onças (2.410 toneladas), equivalentes a 8,5% do total de reservas do país. As importações chinesas de ouro superaram 1 mil toneladas nos primeiros oito meses de 2026, e os holdings de ETFs de ouro na China atingiram 304 toneladas. Em sentido oposto, Rússia e Cazaquistão realizaram vendas de ouro, com a Rússia posicionando o metal em Hong Kong.

A prata apresentou desempenho inferior ao do ouro. O preço da prata à vista recuou cerca de 55% desde a máxima de janeiro, para cerca de US$ 54 por onça em 26 de outubro. Relato de mercado atribui parte da pressão a evento de liquidação de posições alavancadas na China, com desdobramentos na Shanghai Futures Exchange. A demanda industrial de prata no setor fotovoltaico chinês recuou cerca de 30% em 2026, por meio de redução da quantidade de metal por unidade produzida e substituição por outros materiais. A consultoria SMM registrou queda de 19,6% no preço da prata entre 27 de agosto e 15 de outubro. A Silver Institute projeta recuo de cerca de 2% no uso industrial de prata em 2026, para 650 milhões de onças.

Tendências do último mês

No período de 28 de setembro a 27 de outubro, a PTAX do dólar de compra partiu de R$ 5,2126 e encerrou em R$ 5,3340, alta de 2,33% no mês. A trajetória se dividiu em duas fases. De 28 de setembro a 23 de outubro, o real se valorizou: o dólar caiu de R$ 5,2126 para abaixo de R$ 5,00 em 5 de outubro (R$ 4,9853), e oscilou entre R$ 4,9692 e R$ 5,0820 até 23 de outubro. Esse período coincide com precificação de vitória da oposição nas pesquisas eleitorais e com carry trade atrativo pela Selic em 13,75% ao ano. A segunda fase, em 26 e 27 de outubro, foi marcada pelo choque eleitoral: alta de 9,19% seguida de recuo de 3,01%.

O ouro em real, no mesmo período, passou de R$ 691,0513 para R$ 696,7995, alta de 0,83%. O ouro spot em dólares recuou 1,46%, de US$ 4.123,38 para US$ 4.063,17. A diferença entre as duas métricas reflete a depreciação do real no mês. O ouro em real registrou mínima de R$ 648,1086 em 23 de outubro e máxima de R$ 710,3849 em 26 de outubro.

Externamente, o Federal Reserve elevou a taxa básica americana em 0,25 ponto percentual em 16 de setembro, para o intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano, primeira alta desde 2023, e o mercado acompanha a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto. No Brasil, o Copom mantém a Selic em 13,75% ao ano.

Resumo do fechamento diário (27/10/2026)

Indicador Valor de fechamento Variação diária
Dólar comercial PTAX (compra) R$ 5,3340 -3,01%
Dólar comercial PTAX (venda) R$ 5,3346 -3,02%
Ibovespa (pontos) 175.831,92 -0,96%

Maiores altas do pregão (B3)

Código Nome da empresa Variação diária
VIVR3F Viver Incorporadora e Construtora S.A. +78,02%
VIVR3 Viver Incorporadora e Construtora S.A. +69,58%
JFEN3 João Fortes Engenharia S.A. +42,53%
MAPT4 Cemepe Investimentos S.A. +38,89%
BOBR4F Bombril S.A. +25,62%

Maiores baixas do pregão (B3)

Código Nome da empresa Variação diária
AZUL99 Azul S.A. -51,85%
AZUL97 Azul S.A. -44,00%
ONCO3F Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A. -22,22%
VVEO3F CM Hospitalar S.A. -22,22%
TELB3 Telecomunicações Brasileiras S.A. -21,94%

Variação mensal do dólar comercial PTAX (28/09 a 27/10/2026)

Data Compra (R$) Venda (R$) Variação compra (%) Variação venda (%)
28/09/2026 5,2126 5,2132 n/a n/a
29/09/2026 5,2198 5,2204 +0,14 +0,14
30/09/2026 5,1803 5,1809 -0,76 -0,76
01/10/2026 5,2073 5,2079 +0,52 +0,52
02/10/2026 5,2232 5,2238 +0,31 +0,31
05/10/2026 4,9853 4,9859 -4,55 -4,55
06/10/2026 4,9692 4,9698 -0,32 -0,32
07/10/2026 4,9929 4,9935 +0,48 +0,48
08/10/2026 5,0113 5,0119 +0,37 +0,37
09/10/2026 4,9886 4,9892 -0,45 -0,45
13/10/2026 5,0090 5,0096 +0,41 +0,41
14/10/2026 5,0435 5,0441 +0,69 +0,69
15/10/2026 5,0515 5,0521 +0,16 +0,16
16/10/2026 5,0820 5,0826 +0,60 +0,60
19/10/2026 5,0558 5,0564 -0,52 -0,52
20/10/2026 5,0134 5,0140 -0,84 -0,84
21/10/2026 5,0270 5,0277 +0,27 +0,27
22/10/2026 5,0377 5,0383 +0,21 +0,21
23/10/2026 5,0371 5,0377 -0,01 -0,01
26/10/2026 5,4998 5,5007 +9,19 +9,19
27/10/2026 5,3340 5,3346 -3,01 -3,02

Variação mensal do ouro comercial (28/09 a 27/10/2026, em R$ por grama)

Data Compra (R$) Venda (R$) Variação compra (%) Variação venda (%)
28/09/2026 691,0513 691,1308 n/a n/a
29/09/2026 697,4613 697,5414 +0,93 +0,93
30/09/2026 692,3684 692,4485 -0,73 -0,73
01/10/2026 698,2167 698,2971 +0,84 +0,84
02/10/2026 693,4679 693,5475 -0,68 -0,68
05/10/2026 662,6745 662,7542 -4,44 -4,44
06/10/2026 665,0428 665,1231 +0,36 +0,36
07/10/2026 658,9547 659,0339 -0,92 -0,92
08/10/2026 662,0822 662,1614 +0,47 +0,47
09/10/2026 672,2275 672,3083 +1,53 +1,53
13/10/2026 669,6524 669,7326 -0,38 -0,38
14/10/2026 661,6162 661,6949 -1,20 -1,20
15/10/2026 673,8927 673,9728 +1,86 +1,86
16/10/2026 680,9594 681,0398 +1,05 +1,05
19/10/2026 673,1194 673,1993 -1,15 -1,15
20/10/2026 665,7018 665,7814 -1,10 -1,10
21/10/2026 667,7736 667,8666 +0,31 +0,31
22/10/2026 655,9505 656,0286 -1,77 -1,77
23/10/2026 648,1086 648,1858 -1,20 -1,20
26/10/2026 710,3849 710,5012 +9,61 +9,61
27/10/2026 696,7995 696,8779 -1,91 -1,92

(*) Com informações das fontes: Banco Central do Brasil (taxas PTAX de dólar e ouro, Refinitiv); B3 (Ibovespa, ações, volume e negócios); Agência Brasil; Valor Econômico; Exame; InfoMoney; O Globo; Estadão; StoneX; World Gold Council; Shanghai Metals Market; Silver Institute; Global Times; Federal Reserve.

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