"> Dólar e ouro sobem e Ibovespa sobe

 

Economia - 29/09/2026 - 17:25:57

 

Dólar e ouro sobem e Ibovespa sobe

Dólar PTAX fecha em R$ 5,2198 e Ibovespa avança 0,39% na véspera do primeiro turno

 

Da Redação .

Foto(s): Arte @HORA

 

PTAX compra a R$ 5,2198 e venda a R$ 5,2204 (+0,14%); Ibovespa a 183.811,79 pontos (+0,39%). Ouro em real cai 5,47% no mês com liquidação na China e sobe 0,93% no dia; Treasuries a 5,23% e eleição em 4/10 no radar.

PTAX compra a R$ 5,2198 e venda a R$ 5,2204 (+0,14%); Ibovespa a 183.811,79 pontos (+0,39%). Ouro em real cai 5,47% no mês com liquidação na China e sobe 0,93% no dia; Treasuries a 5,23% e eleição em 4/10 no radar.

O fechamento de terça-feira, 29 de setembro, interrompeu a sequência de quatro sessões seguidas de baixa do Ibovespa. O índice da B3 partiu de 183.089,66 pontos na segunda-feira, 28, e chegou a 183.811,79 pontos no encerramento, variação de +0,39%. No câmbio, a taxa PTAX do dólar comercial, divulgada pelo Banco Central após as 16h, saiu de R$ 5,2126 na compra e R$ 5,2132 na venda no dia anterior para R$ 5,2198 e R$ 5,2204, respectivamente, alta de 0,14% em ambas as pontas. Foi a quinta sessão consecutiva de elevação da PTAX, que atingiu o maior patamar do período de 31 de agosto a 29 de setembro.

Fatores do dia

A sessão de 29 de setembro teve três eixos de influência. No plano doméstico, o IBGE divulgou a PNAD Contínua referente ao trimestre encerrado em agosto: taxa de desocupação de 5,3%, o menor patamar para um trimestre encerrado em agosto em 15 anos, e taxa de subutilização de 13,1%. Na mesma data, o Banco Central divulgou as estatísticas monetárias e de crédito de agosto: o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 22,0 trilhões, equivalentes a 164,9% do PIB, com avanço mensal de 0,6%; o saldo de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões, alta de 0,5% no mês. Os dados de inadimplência também vieram junto: a taxa de atraso de operações de crédito de pessoas físicas atingiu 6% em agosto, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, enquanto entre empresas ficou em 3,4%. A combinação de mercado de trabalho com taxa de desocupação reduzida e endividamento elevado reduziu as apostas de corte da Selic no curto prazo e sustentou os juros futuros por toda a curva.

O segundo eixo foi o calendário eleitoral. O primeiro turno está marcado para domingo, 4 de outubro, e as pesquisas divulgadas na semana indicaram empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. Levantamento Atlas divulgado na segunda-feira apontou Lula com 45,3% das intenções contra 42,2% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e 47,6% contra 47,7% no segundo, dentro da margem de erro. Pesquisa BTG/Nexus indicou 46% para Lula e 44% para Flávio no segundo turno, também dentro da margem de erro. O mercado passou a precificar um prêmio de risco eleitoral, e casas de análise como o JPMorgan avaliaram que os ativos brasileiros ainda refletem apenas parcela pequena desse prêmio. Os investidores concentraram apostas em empresas ligadas ao mercado de capitais, como XP, BTG Pactual e B3, e mantiveram exposição reduzida em bancos tradicionais. O decreto que proíbe apostas esportivas no país, assinado no mês, também foi acompanhado pelo mercado por seu potencial impacto sobre a arrecadação fiscal e sobre o programa de recompra de títulos públicos.

O terceiro eixo veio do exterior. O rendimento do título de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos subiu para 5,2319% em 28 de setembro, ante 5,181% na sexta-feira, 25. O índice dólar (DXY) avançou 0,23%, para 101,20 pontos. O petróleo tipo Brent fechou a US$ 97,83, alta de 0,40%, e o WTI a US$ 92,60, alta de 0,21%, após os Estados Unidos recusarem negociação com o Irã; a commodity chegou a superar US$ 100 o barril durante a sessão. As bolsas americanas cederam com a combinação de petróleo elevado e juros americanos em alta. No início do pregão brasileiro, o dólar comercial chegou a recuar 0,43%, para R$ 5,2028 por volta das 9h, em reflexo aos dados de emprego, mas reverteu o movimento ao longo do dia. O Ibovespa, por sua vez, abriu em queda e reverteu para o positivo no fechamento.

Ouro e prata: o episódio na China e o impacto sobre o mercado

As commodities de metais preciosos foram determinantes para o sentimento do mercado na semana. A partir de 28 de setembro, uma onda de desmontagem de posições alavancadas na China atingiu ouro e prata. A Bolsa de Futuros de Xangai impôs restrições de entrega, reduzindo a zero as alocações de entrega para participantes sem cotas de hedge aprovadas, e a especulação de varejo chinesa reverteu o sentido. O ouro spot chegou a cair para US$ 4.022 a onça, nível não observado desde novembro, e se recuperou para US$ 4.089 no mesmo dia. Em 29 de setembro, o ouro spot fechou em US$ 4.155,81 a onça, segundo os dados do Banco Central. A Bolsa de Ouro de Xangai fixou o preço do metal em 901,5 yuan por grama, o menor nível em yuan desde o início de agosto. A prata em Xangai caiu para abaixo de 14.960 yuan por quilo, o menor patamar em mais de sete semanas.

Em reais, o impacto foi medido diretamente nas cotações do Banco Central. O grama do ouro saiu de R$ 717,23 na compra em 25 de setembro para R$ 691,05 em 28 de setembro, recuo de 3,65% em uma única sessão, o maior do período. Em 29 de setembro, o metal recuperou 0,93%, para R$ 697,46 na compra. No acumulado de 31 de agosto a 29 de setembro, o ouro em real recuou 5,47%. Em dólares, o ouro spot caiu de US$ 4.429,49 para US$ 4.155,81 no mesmo período, recuo de 6,18%. A variação menor em reais se explica pela depreciação do real no mês, que amorteceu a queda do preço internacional convertida à moeda local.

A estrutura de suporte ao preço do ouro, contudo, permaneceu. A China importou mais de mil toneladas de ouro nos primeiros oito meses de 2026, com desembolso de US$ 158,8 bilhões, valor superior aos US$ 96,5 bilhões gastos durante todo o ano de 2025. O Banco Popular da China adicionou 20,2 toneladas em agosto, a maior compra mensal desde outubro de 2023, estendendo sequência de aquisições pelo banco central. As holdings de ouro em ETFs chineses aumentaram cerca de cinco vezes em três anos. No caso da prata, a China exportou 162 milhões de onças no ano passado e mantém controles de exportação desde janeiro de 2026, enquanto os Estados Unidos classificaram o metal como mineral crítico em novembro de 2025. A desmontagem de posições na China pressionou o complexo de commodities e o sentimento de risco global, e a recuperação dos preços em 29 de setembro coincidiu com a reversão do Ibovespa para o positivo.

Análise do último mês

No período de 21 dias úteis entre 31 de agosto e 29 de setembro, a PTAX do dólar partiu de R$ 5,1810 na compra, tocou o mínimo de R$ 5,0850 em 8 de setembro e encerrou em R$ 5,2198, alta acumulada de 0,75%. A amplitude entre o mínimo e o máximo do período foi de 2,65%. A segunda metade de setembro foi marcada por movimento de alta contínua: de 23 a 29 de setembro, a PTAX subiu em cinco sessões seguidas, de R$ 5,1408 para R$ 5,2198, variação de 1,54% nesse intervalo. O dólar comercial à vista chegou a R$ 5,226 em 28 de setembro, o maior nível desde março. Os fatores explicativos foram a alta dos juros americanos, a elevação do petróleo e o aumento do prêmio de risco eleitoral doméstico.

O Ibovespa, por sua vez, havia se valorizado 10,3% entre 18 de agosto e 25 de setembro, segundo levantamento de mercado, mas cedeu em quatro sessões consecutivas até 28 de setembro antes da alta de 0,39% em 29 de setembro. Até 28 de setembro, o índice mantinha alta acumulada de 3,14% no mês e de 13,57% no ano. A trajetória do mês refletiu a entrada de fluxo externo, a expectativa de cortes da Selic e os preços de commodities, contrabalançados pela aproximação do primeiro turno e pela alta dos juros americanos.

O ouro, em reais, encerrou o período com recuo de 5,47%, com concentração da queda na última semana, em particular na sessão de 28 de setembro. A prata seguiu a mesma direção, com fixação de Xangai no menor nível em sete semanas. A paridade grama por dólar, divulgada pelo Banco Central, passou de 0,007022 em 31 de agosto para 0,007484 em 29 de setembro, indicando maior quantidade de gramas por dólar e, portanto, preço do ouro mais baixo em termos internacionais.

Resumo do fechamento diário (29/09/2026)

Indicador Valor de fechamento Variação diária
Dólar comercial PTAX (compra) R$ 5,2198 +0,14%
Dólar comercial PTAX (venda) R$ 5,2204 +0,14%
Ibovespa (pontos) 183.811,79 +0,39%

Maiores altas do dia (dados B3, papéis mais negociados)

Código Nome da empresa / fundo Variação diária
FSTU11F Fundo de Investimento Setoriais Fiset Turismo +12,50%
LJQQ3F Lojas Quero-Quero SA +11,02%
TELB3F Telecomunicações Brasileiras SA +10,43%
AZZA3 Azzas 2154 SA +9,60%
LJQQ3 Lojas Quero-Quero SA +9,37%

Maiores baixas do dia (dados B3, papéis mais negociados)

Código Nome da empresa / fundo Variação diária
FSPE11F Fiset Pesca FISET FSPE Pfd -18,18%
BALM3 Baumer SA -15,38%
JFEN3F João Fortes Engenharia S.A. -13,31%
FSRF11F Fiset Fl Ref Pfd -12,50%
FSRF11 Fiset Fl Ref Pfd -12,50%

Variação diária do dólar comercial PTAX (31/08 a 29/09/2026)

Data Compra (R$) Var. compra (%) Venda (R$) Var. venda (%)
31/08/2026 5,1810 - 5,1816 -
01/09/2026 5,1564 -0,47 5,1570 -0,47
02/09/2026 5,1267 -0,58 5,1273 -0,58
03/09/2026 5,0956 -0,61 5,0962 -0,61
04/09/2026 5,1247 +0,57 5,1253 +0,57
08/09/2026 5,0850 -0,77 5,0856 -0,77
09/09/2026 5,0973 +0,24 5,0979 +0,24
10/09/2026 5,1143 +0,33 5,1149 +0,33
11/09/2026 5,0912 -0,45 5,0918 -0,45
14/09/2026 5,1690 +1,53 5,1696 +1,53
15/09/2026 5,1484 -0,40 5,1490 -0,40
16/09/2026 5,1520 +0,07 5,1527 +0,07
17/09/2026 5,1515 -0,01 5,1521 -0,01
18/09/2026 5,1569 +0,10 5,1575 +0,10
21/09/2026 5,1111 -0,89 5,1117 -0,89
22/09/2026 5,1155 +0,09 5,1161 +0,09
23/09/2026 5,1408 +0,49 5,1414 +0,49
24/09/2026 5,1789 +0,74 5,1795 +0,74
25/09/2026 5,1985 +0,38 5,1991 +0,38
28/09/2026 5,2126 +0,27 5,2132 +0,27
29/09/2026 5,2198 +0,14 5,2204 +0,14

Variação diária do ouro comercial (R$ por grama, 31/08 a 29/09/2026)

Data Compra (R$/g) Var. compra (%) Venda (R$/g) Var. venda (%)
31/08/2026 737,8240 - 737,9094 -
01/09/2026 724,8243 -1,76 724,9086 -1,76
02/09/2026 720,7507 -0,56 720,8351 -0,56
03/09/2026 735,7205 +2,08 735,8071 +2,08
04/09/2026 731,1599 -0,62 731,2455 -0,62
08/09/2026 718,2203 -1,77 718,3051 -1,77
09/09/2026 720,7721 +0,36 720,8569 +0,36
10/09/2026 717,9980 -0,38 718,0823 -0,38
11/09/2026 715,2571 -0,38 715,3414 -0,38
14/09/2026 712,4742 -0,39 712,5569 -0,39
15/09/2026 710,0262 -0,34 710,1090 -0,34
16/09/2026 720,7611 +1,51 720,8590 +1,51
17/09/2026 723,6269 +0,40 723,7112 +0,40
18/09/2026 722,1538 -0,20 722,2378 -0,20
21/09/2026 714,2398 -1,10 714,3236 -1,10
22/09/2026 711,8703 -0,33 711,9538 -0,33
23/09/2026 707,7093 -0,58 707,7919 -0,58
24/09/2026 708,4679 +0,11 708,5499 +0,11
25/09/2026 717,2323 +1,24 717,3151 +1,24
28/09/2026 691,0513 -3,65 691,1308 -3,65
29/09/2026 697,4613 +0,93 697,5414 +0,93

(*) Com informações das fontes: Banco Central do Brasil (taxa PTAX do dólar e cotação de fechamento do ouro, dados Refinitiv), B3 (Ibovespa e ranking de papéis mais negociados, maiores altas e maiores baixas), IBGE (PNAD Contínua), veículos de imprensa econômica (InfoMoney, Valor Econômico, Exame, Estadão, Bloomberg, Reuters e agências de notícias) para contexto de mercado, Treasuries, petróleo, pesquisas eleitorais e mercado de metais preciosos na China.

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