O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a aceitação de uma suspensão de ataques militares contra o Irã por um período de duas semanas. A decisão surge após intermediação do Paquistão, que atuou como facilitador em negociações bilaterais realizadas em Islamabad na última terça-feira, 7 de abril de 2026. O acordo prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz para tráfego comercial de petróleo, com inspeções coordenadas por observadores paquistaneses e iranianos.
As negociações envolveram delegações de alto nível. Representantes iranianos, liderados pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reuniram-se com enviados paquistaneses, incluindo o chanceler Ishaq Dar. Trump anunciou a posição americana via comunicado oficial postado em sua plataforma Truth Social às 18h de terça-feira (horário de Washington), afirmando que a pausa permite "avaliação de intenções". O texto do acordo, com 12 páginas, estipula que os Estados Unidos suspendem operações aéreas e navais no Golfo Pérsico até 22 de abril de 2026.
Detalhes do Acordo
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Suspensão abrange 14 dias, iniciada em 8 de abril de 2026.
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Reabertura do Estreito de Ormuz autoriza passagem de 21 petroleiros por dia, com capacidade total de 18 milhões de barris.
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Paquistão fornece 50 observadores neutros para monitorar o tráfego.
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Irã compromete-se a não posicionar minas navais adicionais na rota.
O Estreito de Ormuz, com 39 quilômetros de largura no ponto mais estreito, responde por 21% do comércio global de petróleo. Volumes de tráfego caíram 72% desde 1º de abril, conforme registros da Administração Marítima dos EUA, afetando exportações iranianas de 2,1 milhões de barris diários.
Paralelamente, Israel prossegue com ataques aéreos no Líbano. Na noite de 7 de abril, forças israelenses executaram 18 surtidas contra posições do Hezbollah em Beirute e no vale de Bekaa, destruindo 12 depósitos de munições. O Exército de Defesa de Israel (IDF) reportou 45 alvos atingidos, com uso de 28 mísseis guiados. O Líbano registrou 14 mortes e 62 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês. Esses ataques ocorrem independentemente do acordo EUA-Irã, com o premiê israelense Benjamin Netanyahu declarando que as operações visam "ameaças diretas à fronteira norte".
Contexto Regional
As tensões escalaram após incidentes em 28 de março, quando drones iranianos atingiram navios no Golfo, danificando três embarcações e causando a morte de sete marinheiros. Trump havia sinalizado retaliação em 2 de abril, mobilizando o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln com 72 aeronaves. A intermediação paquistanesa ganhou tração após conversas trilaterais em 5 de abril, com o premiê paquistanês Shehbaz Sharif propondo a suspensão como medida de desescalada.
Reações internacionais incluem nota da China, que elogiou a reabertura do Estreito, e posicionamento da União Europeia pedindo extensão do prazo. A Arábia Saudita aumentou exportações de petróleo em 8% via rotas alternativas durante o bloqueio parcial.
(*) Com informações das fontes: Associated Press, Reuters, Al Jazeera, The New York Times, Dawn (Paquistão), Tehran Times, IDF Spokesperson's Unit, Lebanese Ministry of Health.