|
No fechamento de 4 de novembro de 2026, a taxa PTAX do dólar comercial, divulgada pelo Banco Central após as 16h, ficou em R$ 5,4772 na compra e R$ 5,4778 na venda, o que representa variação de -0,29% em relação ao pregão anterior. O Ibovespa, índice da bolsa B3, encerrou o dia em 167.330,53 pontos, com alta de 1,03% sobre os 165.632,69 pontos de 3 de novembro. O volume negociado na B3 somava R$ 28,4 bilhões por volta das 16h05, com 4,39 milhões de negócios.
Fatores do dia
Três frentes explicam o movimento de 4 de novembro. No exterior, as eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas em 3 de novembro, foram acompanhadas de vitória do Partido Democrata, o que reduziu a aversão ao risco global e sustentou ativos de países emergentes. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) encerrava reunião nesta data; pesquisa com 105 instituições indicou que 72 projetam manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano e 33 projetam corte de 0,25 ponto percentual. Contratos de opções na B3 indicavam 68,86% de probabilidade de manutenção da taxa. O boletim Focus, do Banco Central, vem revisando para cima as expectativas de inflação. No mercado internacional de commodities, o petróleo Brent recuou 2,72%, para US$ 93,33 o barril, o que reduz custos de importação e pressão sobre preços.
O dólar à vista chegou a ser negociado perto de R$ 5,47 no período da manhã e encerrou a sessão abaixo do nível de 3 de novembro, mesmo com o índice do dólar (DXY) em leve alta no exterior, o que indica movimento localizado de ajuste de posições após cinco pregões consecutivos de alta da moeda americana contra o real.
Ouro, prata e o episódio envolvendo a China
O ouro comercial, cotado por grama em real pelo Banco Central, fechou 4 de novembro em R$ 712,9914 na compra e R$ 713,0695 na venda, com alta de 2,58% no dia. O ouro spot internacional encerrou em US$ 4.048,65 por onça. A alta do metal em real no último dia foi maior que a variação do spot em dólares, o que reflete o efeito da taxa de câmbio.
A China está no centro da dinâmica recente de ouro e prata. Contratos futuros de ouro em Xangai recuaram 23,7% e de prata 45,8% em relação às máximas do ciclo, conforme dados do mercado chinês até o fim de agosto. No final de outubro, relatos de instituições financeiras internacionais apontaram liquidações de ouro por investidores chineses para captação de caixa, em resposta a medidas de controle de capitais aplicadas por Pequim. Em sentido oposto, a demanda física na Shanghai Gold Elevou o volume semanal a 43 milhões de lotes, o equivalente a cerca de 430 toneladas, o maior patamar desde abril. O Banco Popular da China completou 23 meses consecutivos de compras de ouro, com adição de 23 toneladas em setembro, levando as reservas oficiais a cerca de 2.410 toneladas. Dados da alfândega chinesa mostram importação superior a 1 mil toneladas de ouro nos primeiros oito meses de 2026, o equivalente a US$ 158,8 bilhões, ante 886 toneladas e US$ 96,5 bilhões em todo o ano de 2025. Desde 24 de julho de 2026, as autoridades chinesas suspenderam operações alavancadas de ouro em papel para investidores pessoa física, mantendo intacta a compra e venda de ouro físico.
Para a prata, o fator adicional ligado à China é a desaceleração do setor solar no país, que reduz a demanda industrial do metal usada em painéis fotovoltaicos. A China também detém controle sobre parte das exportações de prata e terras raras. A prata à vista negociou perto de US$ 60,62 por onça em 9 de outubro, recuou para cerca de US$ 56 em 15 de outubro, US$ 53,59 em 26 de outubro e fechou outubro em torno de US$ 49,30 na COMEX, com queda de 5,93% no último pregão do mês e de cerca de 18,34% em todo o mês. Em 3 de novembro, o metal fechou em US$ 49,79 por onça e, em 4 de novembro, operava perto de US$ 51,95. O mercado acionário chinês, por sua vez, encerrou outubro em queda, com quatro trimestres consecutivos de recuo e redução do investimento no setor imobiliário. No dia 30 de outubro, ataque a navios comerciais no Estreito de Ormuz elevou o preço do petróleo e ampliou expectativas de inflação, com repercussão negativa sobre os metais.
Depois desse episódio, os preços de ouro e prata operam abaixo dos níveis de meados de outubro. O ouro spot em dólar passou de US$ 4.191,37 por onça em 9 de outubro para US$ 3.897,31 em 30 de outubro, recuo de 7,0%, e depois recuperou para US$ 4.048,65 em 4 de novembro. No Brasil, o ouro em real subiu no período porque a depreciação do real mais que compensou a queda internacional do metal.
Análise dos últimos 20 dias úteis
No período de 5 de outubro a 4 de novembro de 2026, com 21 dias úteis, a taxa PTAX de compra do dólar variou entre R$ 4,9692, em 6 de outubro, e R$ 5,4998, em 26 de outubro. A taxa encerrou o período em R$ 5,4772, alta de 9,87% ante os R$ 4,9853 de 5 de outubro. O movimento de maior magnitude ocorreu em 26 de outubro, primeiro pregão após a eleição presidencial de segundo turno realizada em 25 de outubro, quando o dólar variou +9,19% em um único dia. Na abertura, a moeda chegou a ser negociada a R$ 5,605, alta de 12,25%, e a B3 acionou o mecanismo de circuit breaker. O Ibovespa recuou 13,88% naquele dia, fechando em 176.608,23 pontos. Nos pregões seguintes, o dólar recuou 3,01% em 27 de outubro e voltou a subir em 28, 29 e 30 de outubro e em 3 de novembro, quando variou +1,33%, antes do recuo de 0,29% em 4 de novembro.
O Ibovespa atingiu a máxima do período em 9 de outubro, em 209.066,90 pontos, e passou a recuar a partir de 13 de outubro, em resposta à corrida eleitoral de segundo turno e à aprovação, pelo Senado, de projeto que põe fim à escala de trabalho 6x1. Após o recuo de 13,88% em 26 de outubro, o índice continuou caindo por mais cinco pregões consecutivos, até 165.632,69 pontos em 3 de novembro. De 9 de outubro a 3 de novembro, o Ibovespa recuou 20,8%. A alta de 1,03% em 4 de novembro interrompeu essa sequência.
O ouro em real variou entre R$ 648,1086 por grama, em 23 de outubro, e R$ 712,9914, em 4 de novembro, com alta de 7,59% no período. O ouro spot em dólar, por sua vez, recuou 2,07% entre 5 de outubro e 4 de novembro, de US$ 4.134,39 para US$ 4.048,65 por onça. A diferença entre as duas variações é explicada pela depreciação do real. A prata, cotada em dólar, recuou cerca de 18% em outubro e iniciou novembro em leve recuperação.
Resumo do fechamento diário, 4 de novembro de 2026
| Indicador |
Fechamento |
Variação diária (%) |
| Dólar comercial (compra PTAX) |
R$ 5,4772 |
-0,29 |
| Dólar comercial (venda PTAX) |
R$ 5,4778 |
-0,29 |
| Ibovespa (pontos) |
167.330,53 |
+1,03 |
Maiores altas do dia (ranking B3)
| Código |
Nome da empresa |
Variação diária (%) |
| HAGA4F |
Haga S.A. Indústria e Comércio Pfd |
+68,00 |
| PDGR3F |
PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações |
+41,18 |
| FSRF11F |
Fiset Fl Ref Pfd |
+28,57 |
| PDGR3 |
PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações |
+27,78 |
| BRKM6 |
Braskem S.A. Conv Pfd B |
+22,67 |
Maiores baixas do dia (ranking B3)
| Código |
Nome da empresa |
Variação diária (%) |
| RCSL4F |
Recrusul S.A. Pfd |
-17,86 |
| RCSL4 |
Recrusul S.A. Pfd |
-15,85 |
| RENV11 |
CPV Energia Fundo de Investimento Imobiliário |
-12,57 |
| AZUL99 |
Azul S.A. |
-12,28 |
| FASA3F |
FASA S.A. |
-11,11 |
Variação diária do dólar comercial (PTAX), 5 de outubro a 4 de novembro de 2026
| Data |
Compra (R$) |
Venda (R$) |
Var. compra (%) |
Var. venda (%) |
| 05/10/2026 |
4,9853 |
4,9859 |
-4,55 |
-4,55 |
| 06/10/2026 |
4,9692 |
4,9698 |
-0,32 |
-0,32 |
| 07/10/2026 |
4,9929 |
4,9935 |
+0,48 |
+0,48 |
| 08/10/2026 |
5,0113 |
5,0119 |
+0,37 |
+0,37 |
| 09/10/2026 |
4,9886 |
4,9892 |
-0,45 |
-0,45 |
| 13/10/2026 |
5,0090 |
5,0096 |
+0,41 |
+0,41 |
| 14/10/2026 |
5,0435 |
5,0441 |
+0,69 |
+0,69 |
| 15/10/2026 |
5,0515 |
5,0521 |
+0,16 |
+0,16 |
| 16/10/2026 |
5,0820 |
5,0826 |
+0,60 |
+0,60 |
| 19/10/2026 |
5,0558 |
5,0564 |
-0,52 |
-0,52 |
| 20/10/2026 |
5,0134 |
5,0140 |
-0,84 |
-0,84 |
| 21/10/2026 |
5,0270 |
5,0277 |
+0,27 |
+0,27 |
| 22/10/2026 |
5,0377 |
5,0383 |
+0,21 |
+0,21 |
| 23/10/2026 |
5,0371 |
5,0377 |
-0,01 |
-0,01 |
| 26/10/2026 |
5,4998 |
5,5007 |
+9,19 |
+9,19 |
| 27/10/2026 |
5,3340 |
5,3346 |
-3,01 |
-3,01 |
| 28/10/2026 |
5,3414 |
5,3420 |
+0,14 |
+0,14 |
| 29/10/2026 |
5,3738 |
5,3744 |
+0,61 |
+0,61 |
| 30/10/2026 |
5,4206 |
5,4212 |
+0,87 |
+0,87 |
| 03/11/2026 |
5,4929 |
5,4935 |
+1,33 |
+1,33 |
| 04/11/2026 |
5,4772 |
5,4778 |
-0,29 |
-0,29 |
Variação diária do ouro comercial (por grama), 5 de outubro a 4 de novembro de 2026
| Data |
Compra (R$/g) |
Venda (R$/g) |
Var. compra (%) |
Var. venda (%) |
Ouro spot (US$/oz) |
| 05/10/2026 |
662,6745 |
662,7542 |
-4,44 |
-4,44 |
4.134,39 |
| 06/10/2026 |
665,0428 |
665,1231 |
+0,36 |
+0,36 |
4.162,73 |
| 07/10/2026 |
658,9547 |
659,0339 |
-0,92 |
-0,92 |
4.105,22 |
| 08/10/2026 |
662,0822 |
662,1614 |
+0,47 |
+0,47 |
4.109,19 |
| 09/10/2026 |
672,2275 |
672,3083 |
+1,53 |
+1,53 |
4.191,37 |
| 13/10/2026 |
669,6524 |
669,7326 |
-0,38 |
-0,38 |
4.158,23 |
| 14/10/2026 |
661,6162 |
661,6949 |
-1,20 |
-1,20 |
4.080,39 |
| 15/10/2026 |
673,8927 |
673,9728 |
+1,86 |
+1,86 |
4.149,30 |
| 16/10/2026 |
680,9594 |
681,0398 |
+1,05 |
+1,05 |
4.167,73 |
| 19/10/2026 |
673,1194 |
673,1993 |
-1,15 |
-1,15 |
4.141,16 |
| 20/10/2026 |
665,7018 |
665,7814 |
-1,10 |
-1,10 |
4.130,10 |
| 21/10/2026 |
667,7736 |
667,8666 |
+0,31 |
+0,31 |
4.131,79 |
| 22/10/2026 |
655,9505 |
656,0286 |
-1,77 |
-1,77 |
4.050,06 |
| 23/10/2026 |
648,1086 |
648,1858 |
-1,20 |
-1,20 |
4.002,02 |
| 26/10/2026 |
710,3849 |
710,5012 |
+9,61 |
+9,61 |
4.017,61 |
| 27/10/2026 |
696,7995 |
696,8779 |
-1,91 |
-1,91 |
4.063,17 |
| 28/10/2026 |
694,0489 |
694,1268 |
-0,39 |
-0,39 |
4.041,61 |
| 29/10/2026 |
694,6484 |
694,7260 |
+0,09 |
+0,09 |
4.020,61 |
| 30/10/2026 |
679,1881 |
679,2633 |
-2,23 |
-2,23 |
3.897,31 |
| 03/11/2026 |
695,0399 |
695,1158 |
+2,33 |
+2,33 |
3.935,85 |
| 04/11/2026 |
712,9914 |
713,0695 |
+2,58 |
+2,58 |
4.048,65 |
(*) Com informações das fontes: Banco Central do Brasil (taxas PTAX de dólar e cotações de fechamento do ouro), B3 (Ibovespa, volume e ranking de maiores altas e baixas), Refinitiv (dados integrados às séries do Banco Central) e agências de notícias econômicas (fatores políticos, macroeconômicos e externos do dia, cotações de prata e dados relativos à China).
|